Rio de Janeiro com o Espírito Carioca

BIKINI Festival

Noites de música, projeção e muitos bons encontros no coração de Ipanema

post por Amanda Scarparo - 03 Mai 2013 às 10:37

Teatro Ipanema, Ipanema, festivalO ano era 1959 e surgia ali, no quintal da casa da família Corrêa, na meiuca criativa de Ipanema um novo teatro abria as portas.  Trazia consigo coreógrafos, atores, diretores, músicos e artistas diversos, uma postura de contracultura. Os tempos eram de experimentação, de improviso artístico e licença poética, daí se explica a preferência por montagems de autores como Nelson Rodrigues, Brecht, Artaud, Ripper, Somerset Maugham e direção de Ziembinski. Já na década de 70, o teatro recebe o grupo de besteirol queridinho dos modernetes da época, o Asdrúbal Trouxe o Trombone. A trupe de Regina Casé e Cia. fazia a festa ali, emendando um espetáculo no outro e lotando as sessões. Daí se explica o espírito vanguardista, despojado e carioquíssimo do Teatro Ipanema. Corta.

De repente, doismiletreze. Seis datas livres no Teatro e um contato com alguns dos mais inquietos produtores da cidade. Rá. É claro que ia dar caldo. E foi só Léo Feijó e Bernardo Palmeira trocarem alguns dedos de prosa para Henrique Botkay se unir e a parada rolar: um festival de música. Mas não só música, cinema também, com produções independentes. Um festival chamado BIKINI. Dois finais de semana com dois shows por noite e mais uma projeção de filme. Shows de bandas fora do circuitão, com aquela galera que rala por um lugar ao sol, mas sem perder a ternura. Tim-tim. 

No primeiro fim de semana, quem abre os trabalhos é o curta de Paulinho Sacramento e Marcelo Mac, "Viva Ericson Pires!...e uns amigos". Após a exibição, o folk rockabilly do La Vereda sobe ao palco num esquenta alto nível para o Picassos Falsos. Sábado (04) é noite de Gabriel Muzak e o trovador gaúcho Wander Wildner, depois da exibição do curta "As coisas não precisam de você?". Domingão (05) é quando vai na telona "As Maravilhas do Mar", de Alessandra Vaghi, com Ericson Pires e depois quem comanda a festa é o Ganeshas e Anna Ratto.

O BIKINI continua com Tangarás abrindo pro Biltre na outra sexta (10), Lu&Cru chegam pesado no sábado (11), fazendo as honras para o Choque do Magriça subir e incendiar tudo. E fechando no domingão (12), de cereja do bolo, tem a maluquez inventiva do Botika antes do Do Amor e suas canções festeiras e singelas. Um festival assim, não é todo dia. Juntando lé com cré, trazendo música para o teatro e vida nova para um dos palcos mais queridinhos da cidade. A gente se vê de BIKINI!