Rio de Janeiro com o Espírito Carioca

Não me leve a mal, chegou o Carnaval

Relatos Carnavalescos do Fotógrafo Ramon Moreira

post por Ramon Moreira - 06 Fev 2014 às 12:40



 

Um pouco atrasado, mas com um imenso prazer, estreio a minha coluna carnavalesca aqui no Posto Zero.
M
as gostaria de lembrar que redação não é muito a minha praia.

Vamos do começo:
Por volta de 600 antes de Cristo, na Grécia, deu-se início à festa da carne, que na verdade não se comemorava a carne, mas sim a fertilidade do solo e do resultado das plantações(3). Mas aí, a Igreja, que não estava de bobeira, logo viu naquela festa pagã, um jeito de manter o povo longe da carne durante a Quaresma.
Mas o povo que não era bobo nem nada arrumou logo um jeito de meter o pé na jaca, a mão na botija, e corpo na gandaia nos dias que antecediam a maldita Quarta-Feira de cinzas. Eis que nasciam os dias de prazeres carnais.

Criaram até mesmo a tal da Terça-Feira Gorda, de onde surgiu o nome Mardi Gras, que por sinal é uma festa que nos últimos anos aconteceu no Morro da Urca, e segundo o que consta, esse ano, dia 4 de Março, lindas colombinas e pierrots apaixonados se deleitarão ao som de DJ´s, Banda de Jazz e Banda de Marchinhas... CORRE que no últimos 3 anos, foi sold out!

Mas vamos voltar à festa do povo, aquele que sobe na banheira no Boitolo, aquele que acorda às 5 da manhã pra pegar o Céu na Terra, aquele que passa protetor solar fator 500 pra aguentar o Rio Maracatu ou a Orquestra Voadora nas ensolaradas tardes cariocas.

Outro dia me perguntaram o porque do meu fascínio pelo Carnaval, e mesmo sem ainda compreender direito o porquê, esbocei uma resposta: O carnaval é o momento onde as pessoas são pessoas. Onde o amor, o querer bem e a alegria se sobrepujam a todo e qualquer problema cotidiano. Seria o carnaval o final de semana do ano?

Como não se emocionar ao presenciar um casamento em plena Praça XV? E depois encontrar o noivo no ano seguinte ao pulos com outra colombina no mesmo bloco?!
Como falar de carnaval de bloco e não falar sobre Gigantes da Lira e sua homenagem para Dona Elizabeth?!

 


Como falar de carnaval e não lembrar dos primeiros ensaios de Orquestra Voadora no Curvelo, quando ainda eram apenas amigos felizes em estar juntos para levar um som? Não que ainda não sejam amigos, só que agora são tantos que nem cabem mais em Santa Teresa.

É possível falar de carnaval e não falar dos banhos de mangueira em pleno desfile do Carmelitas e do Céu na Terra?!
Seria possível falar desse do carnaval carioca sem falar do psicotropicalismo do Songoro Cosongo? 

Sim, eu admito que tenho uma visão romântica do Carnaval. Sim, admito que talvez tenha que deixar isso de lado para poder escrever algo mais representativo para o Posto Zero. No proximo post, Orquestra Voadora vista de fora e de dentro.


Mas por enquanto, deixo pra vocês duas perguntas: 

O que seria a sua vida, a sua história como pessoa, sem o carnaval?

Quais foram as fantasias idealizadas e/ou realizadas nesse período do ano?

E quando falo de fantasia, estou falando dos desejos carnais e alegóricos de sua persona.


Com vocês um resumo do meu ponto de vista do carnaval de 2013...

Fotos: Ramon Moreira