Rio de Janeiro com o Espírito Carioca

Rio de Gols

No Dia do Futebol, um roteiro rápido como um ponta esquerda para curtir o melhor do esporte na cidade.

post por Leandro Resende - 19 Jul 2013 às 08:58


Faça um teste: chegue em qualquer lugar do Rio de Janeiro e comece a cantar “Domingo, eu vou ao Maracanã...”. Dificilmente você seguirá até a parte do “Ôôôô” sozinho. Essa música, como tantas outras, faz parte de um repertório cultural da cidade que inclui, naturalmente, o futebol. O carioca respira o esporte, e não precisa estar dentro das quatro linhas para ter certeza disso. Basta uma caminhada pela orla para ver as bolas das rodas de altinha subindo e descendo – mesmo após as tentativas da prefeitura de manter as redondas no chão -, uma ida ao Aterro, onde brilham os craques de final de semana, ou um papo com aquela galera que se vangloria de ter jogado golzinho nas ruas, quando isso ainda era possível. 


Na cidade, diversos campos de pelada disputam a preferência dos atletas de ocasião. Forte do Leme, Colégio Batista e Mania do Gol são alguns dos locais que recebem o pessoal que não teve bola para vestir a camisa 10 de um grande time, mas que faz história nas peladas. 

O Rio, ventre do qual saíram para o mundo craques do nível de Romário, Ronaldo, Zico e Nilton Santos, é também berço de quatro dos maiores times do Brasil. Fluminense, Botafogo, Vasco e Flamengo dividem a preferência da galera e tem o Maracanã como casa comum de glórias, derrotas e momentos inesquecíveis. O estádio, ícone do casamento entre o esporte e a cidade, é o mais charmoso do mundo. Remodelado pela força do padrão FIFA, os cariocas estão numa fase de distanciamento com sua casa amada, mas já procuram maneiras de voltar a ocupá-la com a típica irreverência carioca, símbolo dessa união mais que sexagenária. 


Saindo do Maraca, basta tomar a direção da Quinta da Boa Vista para chegar a São Januário. A casa dos vascaínos é um lugar que transborda história. Com 86 anos de vida, não só de gols vive o estádio. Foi ali que Getúlio Vargas protagonizou cenas emblemáticas da política brasileira, ao realizar comícios que reuniram milhares de pessoas. Parada obrigatória – sem clubismos – pros amantes do esporte e da história do país. 

 

Companheira inseparável dos finados geraldinos e dos arquibaldos, a cerveja é artigo proibido nas dependências dos estádios cariocas. Mas pra quem não dispensa uma gelada e um jogo de futebol – mesmo que na TV -, uma dica boa é o Bar da Eva, no Grajaú. Decorado com imagens de grandes ídolos do esporte, periodicamente o lugar exibe grandes jogos dos times da cidade, com a presença de craques daquela época. Tricolores já reviram o histórico Fla-Flu no Carioca de 1983 na companhia de Assis, autor do gol que deixou o time das Laranjeiras bem perto do título. Já os flamenguistas abraçaram Adílio no dia em que foi exibido o jogo do título mundial do clube, conquistado em 1981.
 

Ainda falando de bares, neste domingo Fluminense e Vasco serão os responsáveis por devolver o Maracanã a quem de direito: os clubes cariocas. Para aqueles que não estão dispostos a gastar R$60 no ingresso, duas opções são clássicas para os cariocas: na Zona Sul, a galera se encontra no Baixo Gávea e escolhe um bar para torcer e vibrar. Na Tijuca, a boa é o Buxixo, mas se estiver muito cheio, vale conferir algum dos locais do entorno, na Praça Vanhargen. 

Para fugir da muvuca desses locais – sempre abarrotados – recomendo a simplicidade do Café e Bar Bambi, na Travessa dos Tamoios, no Flamengo. O local, um autêntico “pé-sujo” carioca, é comandado pelo “manager” Chiquinho, oferece cerveja barata e petiscos de qualidade. Por só possuir uma televisão, é difícil entrar em consenso com as torcidas rivais em dias de jogos de duas equipes no mesmo horário. Tudo num clima de paz e claro, de muitas risadas. 
 

Para um amante do futebol, não há cidade melhor para se viver do que o Rio de Janeiro. O carioca, que sabe disso, supera as adversidades cotidianas e torce fervorosamente, só para chegar no trabalho na segunda-feira e sacanear o rival que perdeu no final de semana.