Rio de Janeiro com o Espírito Carioca

Rio Sexy - Viagem à Copacabana Profunda

Conheça a esquina das avenidas Prado Jr. e Princesa Isabel: a capital do sexo no Rio

post por Marcelo Gluz - 14 Abr 2014 às 04:47

Como já se sabe no mundo inteiro a Princesinha do Mar tem sua face pervertida. Se o lado monárquico cintila no Copacabana Palace, o lado depravado do bairro é pontuado de uma grande diversidade de inferinhos e infernões, sem falar em todo o ecossistema que funciona em torno deles. Sempre foi um hábito carioca omitir a existência dessa outra Copacabana, como quem esconde a área de serviço aos convidados nobres, mas se existe vida noturna no Rio a capital é o cruzamento da Prado Junior com a Princesa Isabel. Os moderninhos descobriram isso há alguns anos e deixam seus preconceitos em casa quando mergulham na região. De alguns anos pra cá é comum comemorar festinhas ‘civis’ nesses ambientes (digamos) apimentados, que mais frequentemente celebram despedias de solteiro e eventos desse tipo.

Há duas semanas a supermodelo Kate Moss, numa agenda repleta de Londras e Mineiros, encaixou uma excursão à Barbarella, um dos mais antigos e concorridos inferninhos de Copacabana. Se espantou com uma dançarina que usava óculos, criticou as reboladas e se esticou num dos sofás do ‘fundão’ da boate.

Foi na mesma Barbarella que Camila Pitanga fez pesquisa de campo para sua personagem Bebel. Adriana, sua personal coach, batia ponto por lá diariamente. Logo à alguns passos dali, Camila, Adriana e outras meninas ensaiavam na igualmente tradicional La Cicciolina, boate que leva o nome de uma famosa atriz pornô e parlamentar húngaro-italiana da década de 80.​

Como a Barbarella e a Cicciolina, a Boate Erotika fundada há mais de 35 anos, tem shows de strip tease, meninas no pole dancing, amendoim nas mesas e entrada que dá direito a dois drinks (cuidado com eles). Algumas delas vão mais longe com mágicos, mulatas com roupas de carnaval e atrações mais extremas, com sexo explícito rolando ao vivo e a cores em cima do palco. Alguns desses shows trazem bizarrices a granel, com destaque pro Anão que adentra o palco fantasiado de bebê no colo de uma morena vestida de babá. O resto é melhor deixar pra imaginação de cada leitor.

A Erotika alterna em sua programação os dias de entretenimento adulto corriqueiro com as festas que bombam a partir da atmosfera com alto teor de sexual. Essa apropriação da cultura underground é justamente onde a pornografia vira fetiche para meninos e meninas da zona sul carioca. Na cola dos inferninhos gravitam motéis de alto giro, sex shops, farmácias 24 horas, botequins e restaurantes abertos até tarde. Destaque absoluto para o tradicional Cervantes, que serve os melhores sanduíches da cidade pra muita gente. Comer um filé com queijo e abacaxi nas altas horas da madrugada pode não ter tanto a ver com o contexto erótico do bairro, mas pode ser tão lascivo quanto. Outra opção, não tão perto assim, mas digna de nota é a boêmia La Fiorentina, inaugurada em 1957, que ainda guarda a atmosfera do seu auge, há décadas atrás.

Balcony em Copacabana​A biodiversidade noturna do Rio Sexy se completa com uma expedição antropológica ao Balcony, na Praça do Lido. Diferente das boates eróticas citadas acima, este é um pub aberto, em frente a praia e coberto por um toldo, onde meninas da noite de todas as categorias jogam seus anzóis aos gringos. Para muitos, o Balcony herdou seu público da falecida e legendária Help, que ficava na outra ponta da Avenida Atlântica, e atraía profissionais do sexo, contratadores babões e moderninhos curiosos.


A boate fechou suas portas em 2010 para dar lugar ao novo prédio do MIS (Museu da Imagem e do Som). O fato é que as imagens (e os sons) que passam e passaram pelos inferninhos de Copacabana dariam um baita museu do sexo carioca. Ou pelo menos desse tipo de sexo, que mistura comércio com afeto. Perversão com realidade.


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